8 de abril de 2016

NOTA DE REPÚDIO À TRUCULÊNCIA POLICIAL DO PARANÁ CONTRA O MST

Nós da Executiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social – ENESSO, da região VI – RS, SC e PR, vimos a público manifestar nossa solidariedade aos familiares, afetos e entes queridos dos dois trabalhadores que foram assassinados no dia de 7 de abril de 2016, em Quedas do Iguaçu, no acampamento Dom Tomás Balduíno na região central do Paraná. Como também aos feridos no sinistro que lá ocorreu.
O local já demonstra conflito agrário na região desde meados de 2014, quando os trabalhadores começaram a lutar pela terra:
“Este cenário reflete parte do clima de tensão que nasce na luta pelo acesso à terra e contra a grilagem na região. O conflito tem relação com o surgimento de dois acampamentos do MST na região centro-sul do Paraná, construídos nas áreas em que funcionam as atividades da empresa Araupel, exportadora de pinus e eucalipto. O primeiro acampamento, Herdeiros da Terra, está localizado no município de Rio Bonito do Iguaçu. A ocupação aconteceu em 1º de maio de 2014 e hoje abriga mais de mil famílias. Ali, elas possuem aproximadamente 1,5 mil hectares para a produção de alimentos.
O segundo acampamento, Dom Tomás Balduíno, cuja ocupação teve início em junho de 2014, possui 1500 famílias e fica na região de Quedas do Iguaçu. Ao contrário da outra ocupação, esta possui 12 alqueires de área aberta, sendo apenas 9 - cerca de 30 hectares - utilizados para o plantio.
Procurado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou não poder se posicionar sobre o caso, já que trata-se de um acampamento, e não um assentamento. Já o MDA, por meio da assessoria de imprensa, informou que está verificando a situação junto a Ouvidoria Agrária Nacional.” (SIC¹)
Por volta das 15h desta quinta-feira (07), ocorreu uma emboscada contra o acampamento Dom Tomás Balduíno, onde o resultado do conflito contabilizou 2 mortos e cerca de 20 feridos, de acordo com informações do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST, em virtude de conflitos com “seguranças e jagunços” da madeireira Araupel, que contavam com apoio da Polícia Militar.
“Em torno de 15 pessoas desceram para fazer vistoria numa área ocupada e havia pessoas do Bope [Batalhão de Operações Policiais Especiais] e da Polícia Militar. Não sabemos de fato quantas pessoas estão mortas e quantas estão baleadas porque a polícia agora não nos deixa chegar perto”, afirma o dirigente do movimento na região, que preferiu não se identificar. No momento há confirmação de mais de 20 feridos. Caso confirmada a informação, isso pode caracterizar omissão de socorro.      
Contradição da SESP         
Em nota, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SESP) afirma que os policiais foram alvos de emboscada, mas confirmam a informação de que dois agricultores sem-terra foram mortos e seis ficaram feridos. Para o advogado da Terra de Direitos, Fernando Prioste, apesar dos fatos ainda precisarem ser apurados, a posição da SESP é contraditória. “É uma contradição dizer que a polícia sofreu emboscada, mas quem morreu foram os trabalhadores”, disse.
Conflito agrário na região. Este cenário reflete parte do clima de tensão que nasce na luta pelo acesso à terra e contra a grilagem na região.
O conflito tem relação com o surgimento de dois acampamentos do MST na região centro-sul do Paraná, construídos nas áreas em que funcionam as atividades da empresa Araupel, exportadora de pinus e eucalipto. O primeiro acampamento, Herdeiros da Terra, está localizado no município de Rio Bonito do Iguaçu. A ocupação aconteceu em 1º de maio de 2014 e hoje abriga mais de mil famílias. Ali, elas possuem aproximadamente 1,5 mil hectares para a produção de alimentos.       
O segundo acampamento, Dom Tomás Balduíno, cuja ocupação teve início em junho de 2014, possui 1500 famílias e fica na região de Quedas do Iguaçu. Ao contrário da outra ocupação, esta possui 12 alqueires de área aberta, sendo apenas 9 - cerca de 30 hectares - utilizados para o plantio. 
Procurado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou não poder se posicionar sobre o caso, já que trata-se de um acampamento, e não assentamento. Já a Ouvidoria Agrária Nacional informou que não tem informações sobre o caso, mas que está verificando o ocorrido.(SIC²)”

Segundo dados do MST, o histórico do acampamento está localizado em uma área que pertence à empresa Araupel, onde se organizam 2500 famílias, contando com cerca de 7000 pessoas. Os integrantes do movimento sofrem com abusos e ameaças constantes partindo de seguranças e pistoleiros da empresa que, pela parte do poder público, fica alheio às afrontas e violação de direitos humanos às quais o pessoal do movimento vivencia no dia a dia, pois em tese, a polícia só tenciona a favor da higienização do local, acirrando mais a tensão entre o pessoal do movimento e o pessoal da Araupel (SIC³).
Neste sentido, nós, estudantes de Serviço Social da região sul do país, nos solidarizamos com todos os que sofrem a violência consentida com a repressão policial, como também repudiamos todo e qualquer ato que atente à violação dos direitos humanos, como também não toleramos quaisquer ação que expresse a repressão aparelhada desse governo arbitrário e seletivo. Lembramos que, antes de se passar um ano, o mesmo Estado colocou seu aparelho repressivo às ruas para atacar professores, estudantes e civis no dia 29 de abril, onde estes se manifestavam para garantia de direitos e não ao retrocesso pautados pelos representantes que se trancaram dentro da assembleia legislativa para atacar o “Paraná Previdência”, que na época retrocedia à muitos benefícios e direitos já conquistados pelos trabalhadores (SIC4). Agora, quase um ano depois, não há spray e as balas não são de borracha, há sangue, morte e projéteis que tem endereço certo: os trabalhadores.
Pautados pela defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e autoritarismo; Defesa do aprofundamento da democracia, enquanto socialização da participação política e da riqueza socialmente produzida; Posicionamento em favor da equidade e justiça social, que assegure universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais, bem como sua gestão democrática; Empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito à diversidade, a participação dos grupos socialmente discriminados e à discussão das diferenças; e por opção de um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação, exploração de classe, etnia e gênero; Manifestamos nosso repudio à policia militar do Paraná, assim como suas atitudes ordenadas pelo governo do PSDB, que cada vez mais mostra sua face e a cada dia demonstra qual o seu real posicionamento frente à sociedade civil, que como todos sabemos, na luta de classes, é contrário à tudo que pautamos enquanto categoria profissional, e vai de encontro aos direitos humanos já conquistados.
Repudiamos toda essa repressão histórica, como também nos somamos aos movimentos sociais para combater toda forma de opressão que se manifesta pela parte do Estado. Pelos que se foram e pelos que virão, seguiremos na luta e denunciando atos como estes, para que jamais sejam esquecidos, e para combater essa classe dominante que faz de tudo ao seu alcance para manter seu status quo, mesmo que para isso tenha de lavar as mãos com sangue dos trabalhadores. NÃO RETROCEDEREMOS JAMAIS, SEGUIREMOS DO LUTO À LUTA E GRITAMOS: NENHUM PASSO ATRÁS!

Segundo, Sebastião Lopes, do setor de comunicação do MST:

A direita ampliou suas frentes de ataque. Agora está direcionando a artilharia para os movimentos populares. Não são  fatos isolados, são articulações contra o povo e suas lideranças com o fim de consolidar o golpe.
Só essa essa semana, inciou-se com ataque e queima de acampamento em Rondônia, prisão de Frei Sergio, prisão do Cacique Babau e seu Irmão, agora atentato que tirou a vida de dois companheiros Sem Terra e várias feridos no Paraná, isso é GOLPE em pleno funcionamento, esses acontecimentos se dão em menos de uma semana, no momento em que a direita foi desmascarada e alguns de seus planos avançam com violência direta. 

Atentas e atentos!

- Aos nossos mortos: Nenhum minuto de silêncio, mas toda uma vida de luta!

"(...)  Quem és tu, torturador,
que tanta dor desatas,
desanima e maltrata
o humilde plantador?
Negas a classe, traidor,
do povo tudo se gera,
te esqueces deveras,
debaixo de um capacete.
Dá a ordem o Gabinete,
quando matam um Sem Terra."


#ViolênciaNãoPassará #NãoVaiTerGolpe #VaiTerLuta

Assinam:

Coordenação Regional da ENESSO – Região VI, gestão "Não acomodar com o que incomoda"
CASS FAC
DASS PRAXISS UFSM
Caliss UFSC
DASS UNIPAMPA Campus São Borja
CASS Frida Kahlo - UNIOESTE
CASS PUC-PR
CASS Divanir Munhoz - UEPG
CASSO Karl Marx - FURB
CASS FSA/ PIAUI
CASS Dandara Ucsal - BA
CASS ROSA LUXEMBURGO - UFAL AL
CASS AMANHECER - UNIT AL
DASeSo UFPE- GESTAO GIRAMUNDO
Centro Acadêmico de Serviço Social Maria Anízia Gois Araújo - CASSMAGA - UFS
CASS Maria Clenilda UFF - Rio das Ostras
Cass Carolina Maria de Jesus Pucc
Cass da virada Faculdade Dom Pedro II-Salvador-Ba
DASA Diretório Acadêmico Santo Agostinho - UPF
DASS Seno Cornely - UNISC










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