9 de agosto de 2016

'NOTA DE REPÚDIO ao comentário da UJS Rio a uma estudante de Serviço Social

Compreendemos o Serviço Social enquanto uma profissão inserida na divisão social e técnica do trabalho, que reproduz as contradições do Modo de Produção Capitalista, assim como as demais profissões. Serviço Social tem sua gênese vinculada no humanismo cristão, no momento em que a igreja católica exercia, em certas medidas, o papel de gerir as expressões da questão social numa perspectiva ideológica contrária a nossa profissão hoje; com isso, superamos o humanismo cristão e superamos nossa vinculação a igreja católica, a partir do momento que tivemos delineado nosso estatuto profissional. É produto do desenvolvimento do capitalismo, chamado à responder às refrações da questão social, a medida que os próprios trabalhadores se organizam cobrando do Estado respostas as mazelas da sociedade capitalista. A filantropia não conseguia responder as demandas, e o Estado institucionalizou políticas sociais públicas, que exigiam um profissional técnico para sua operacionalização.
Hoje, 36 anos após o que chamamos de 'Congresso da Virada', a profissão passou - e vem passando- por um duro processo de ruptura com o conservadorismo, na defesa pelos interesses da classe trabalhadora e com um projeto profissional intimamente ligado a um projeto societário que visa uma sociedade igualitária, livre de qualquer forma de opressão.
É importante frisar que 'profissão' e 'movimento social' são questões distintas e que tem papéis e objetivos muito diferentes. Uma organização de juventude que carrega o nome de socialista (UJS) quando faz um comentário desse nível mostra a miséria do marxismo e a falta de compromisso com o método. Estamos chocados, mas não surpresos. Há anos na base do ex-governo, a União da Juventude Socialista tem se colocado contra os interesses da classe trabalhadora, e aí sim numa política escrachada de conciliação de classes. Inclusive fez chamado à toda juventude para trabalhar de graça, ser voluntária, da Copa do Mundo de 2014. O Serviço Social é orientado sob um código de ética e se coloca em defesa intransigente dos valores emancipatorios da classe trabalhadora.
Por fim, é apresentado um total desconhecimento do perfil de estudantes desse curso, que são em sua maioria mulheres, negras e negros, e pertencente à classe trabalhadora, sendo um dos cursos mais proletarizados.

Exigimos retratação e, no mínimo, mais respeito com a categoria e com o conjunto de estudantes que se dedicam a fazer esse curso.
Total apoio e solidariedade à camarada e e militante do MESS, Yanna Constantino, aluna da UFF Niteroi.

Seguimos na luta por um Serviço Social classista e anticapitalista!
Serviço Social se faz na LUTA!'

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