19 de abril de 2016

Tema do ERESS Região VI "Não há hierarquia de opressões"

Prezadas e prezados,

Vimos por meio desta esclarecer o equívoco em relação ao tema do XXXVIII ERESS, que teve em toda sua construção o norte "Não há hierarquia de opressões". Devido o curto prazo de tempo, ações que envolvem diversos sujeitos coletivos, por falha humana, no momento em que foi redigido o projeto do XXXVIII ERESS onde era de domínio somente a programação do evento. Considerando que também não foi realizada a ata do CORESS, a falta de informação escrita, como também a relatoria do CORESS, acabou gerando o transtorno da criação de um tema em cima da programação já fundamentada, onde se deu enfase aos 80 anos do Serviço Social no Brasil. Portanto, esclarecemos que o equivoco não foi intencional, tampouco teria objetivo de passar por cima de uma deliberação regional. Agradecemos às meninas do CALISS-UFSC por alertar o equívoco e terem entrado em contato para que esta errata venha a público esclarecer os fatos.

Baseado em texto redigido pela mulher negra, lésbica, feminista, socialista, poeta e mãe como se reconhecia neste mundo, Audrey Lorde (1934-1992), Mulher que teve destaque nas lutas sociais e pela garantia de direitos, onde sua militância com mulheres afro-descendentes na década de 80 trazia a discussão sobre racismo, feminismo, direitos civis e opressão. Sua atuação militante foi de extrema importância para trazer mudanças significativas para o meio social, fazendo a reflexão crítica acerca das opressões que envolvem todos e todas na vida em sociedade. O ponta-pé inicial da discussão para construir o XXXVIII ERESS na UFSM tomou forma nos dias 29, 30 e 31 de janeiro do ano de 2016 na cidade de Curitiba -PR, onde no XXXVIII CORESS construído pelos estudantes da PUC-PR como escola sede, possibilitou a materialização da programação que está previamente sendo divulgada pelos estudantes da Região VI. Assim sendo, vimos a público pedir desculpas pelo equívoco, como também reafirmar a importância de compreender os erros, e aprender com estes, com vistas à não provocar futuros transtornos para o Movimento Estudantil de Serviço Social da Região VI da ENESSO. 

Eu nasci Negra, e mulher. Eu estou tentando me tornar a pessoa mais forte. Eu posso voltar a viver a vida que me foi dada e ajudar em mudança efetiva em torno de um futuro vivível para essa terra e para minhas crianças. Como uma Negra, lésbica, feminista, socialista, poeta, mãe de duas crianças incluindo um garoto e membra de um casal interacial, eu usualmente acho a mim mesma parte de algum grupo no qual a marjoritariedade define-me como desviante, difícil, inferior ou apenas sendo ´errada´. Pela minha pertença em todos esses grupos eu aprendi que opressão e intolerância da diferença vem de todas formas e tamanhos e cores e sexualidades: e dentre aquelas de nós que dividem os objetivos da libertação e um futuro trabalhável para nossas crianças, onde possa não existir hierarquias de opressão. [...]
Eu simplesmente não acredito que um aspecto de mim pode possivelmente lucrar da opressão de qualquer outra parte de minha identidade. Eu sei que meu povo não pode possivelmente lucrar da opressão de qualquer outro grupo que deseje o direito a existência pacífica. Ao invés disso, nós diminuimos nós mesmas por negarmos a outros o que nós vertemos sangue para obter para nossas crianças. E aquelas crianças precisam aprender que elas não tem que se tornar iguais umas as outras de forma a trabalhar juntos por um futuro que elas irão compartilhar.
Os ataques crescentes sobre lésbicas e homens gays são apenas uma introdução aos crescentes ataques sobre pessoas Negras, para onde quer que seja manifestos de opressão em si mesmos nesse país, Pessoas negras são vítimas potenciais. E esse é o estandarte do cinismo da direita encorajar membros de grupos oprimidos a agir uns contra os outros, e por tanto tempo a gente é dividido por causa de nossas identidades particulares nós não podemos juntar-nos todos juntos numa ação política efetiva. [...]

Em memória,
Audrey Geraldine Lorde.




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